quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Chuva. Raios e trovões.



Às vezes não sei quem sou.

Me perco no que penso.

Não sei para onde vou.

Quem de nós nunca teve medo?

Mesmo sabendo que o medo é ladrão.

Rouba nossos momentos.

Enquanto seguimos a razão.

Quase sempre me amo.

Outras vezes não.

Odeio meus erros...

...E até esses medos.

Que deixam longe da emoção. 

Quero fugir da realidade.

Eu sei, é crueldade!

Chuva, raios e trovão.

Às vezes sou raiva.

Outras vezes carinho.

Hoje sou chuva. Tristeza.

Amanhã sou sol.

Sou passarinho…

Que voa sem destino.

Tão certo...

Quanto incerto é o existir.


FIM

Caroline Brunel Matias

12/11/2020


 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Cansaço

 Ando cansada. 


Ando cansada de tantas coisas… mas sobretudo, ando cansada do tempo. Da rotina. Do a dia a dia. De repetir o mesmo trajeto sempre. De estar sempre no mesmo lugar. Fazendo as mesmas coisas. Olhando sempre para as mesmas pessoas. Ando cansada de regras. De limitações. Dessa sensação de ter sempre que satisfazer as pessoas. De cumprir com as expectativas alheias. Com aquilo que esperam de mim. Ando cansada de pertencer demais.


Quero me pertencer. Quero me satisfazer. Quero minhas regras. Meu espaço. Meu silêncio. Meu mundo. Minhas palavras. Meu jeito de enxergar. Quero não ser mal interpretada por tudo. Sei que isso tudo soa egoísta (talvez). Mas eu passo/passei tanto tempo me dedicando aos outros. Vivendo vidas que não eram minhas. Abrindo mão de mim mesma. Que agora eu estou cansada.


Estou cansada de ter que ser alguém “impecável”. De ter que esconder meus desgostos e minhas imperfeições, por medo do que vão pensar. De não poder ficar em silêncio quando eu quiser ficar em silêncio. De não poder apenas estar comigo mesma, quando eu quiser estar. Estou cansada. Exausta de carregar nos ombros tantas expectativas. De sentir a pressão de que outras felicidades dependem de mim. Não. Nenhuma felicidade pode depender de mim… Eu não posso fazer ninguém feliz. Eu apenas posso ser eu. Quero ser eu. E FIM!


Carol Brunel

21/09/2020

sábado, 27 de junho de 2020

Dor

(Reprise)


Dor... 
A dor dilacera o peito,
Rasga a alma, rouba nosso sorriso. 
A dor sangra, arranca nossa alegria. 
Tudo é cinza. Tudo é triste. 
Tudo é vão. Tudo é amargo. 
Culpa da dor. 
Dói. Dói na alma. 
Nada acalma. 
Nada adianta. 
Nada faz sentido. 
Dor... 
que dói. 

FIM 
Carol Brunel 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Ser bom



Bondade é algo que se aprende sim. É algo que a gente deixa crescer dentro da gente. Mas também é algo que, muitas vezes, está internalizado em nossa essência. Coisa de alma. 
Bondade é uma coisa bacana. Tentar fazer o bem para as pessoas que nos cercam. Ajudar. Estender a mão. Buscar nos detalhes fazer o dia de quem a gente ama ser especial. 
Ser do bem. Fazer o bem.

Mas ser bonzinho também é uma coisa que cansa. Até onde devemos e podemos ser legais? Às vezes, tenho vontade de ser “ruim”. Não no sentido literal da palavra. Mas tenho vontade de ser fria. De ser insensível. De ser indiferente. De virar as costas e ligar o foda-se quando achar que algo não está legal. Não acho que isso seja bom. Porém eu acho que as pessoas mais frias e indiferentes sofrem menos. Talvez sintam menos. Vivam menos. Aproveitem menos a vida. Mas ao menos se blindam de “partir o coração”. Se blindam de doer demais. Se blindam de se machucar a toa. Honestamente, eu não sei até que ponto isso é bom ou ruim… 

Ser legal, se jogar na vida e sentir tudo o que tiver que sentir? 
Ou ser frio e se blindar de tudo o que possa causar dor? 

Tem uma máxima espírita que diz que aprendemos na dor ou no amor. Talvez eu seja aquela que aprende em ambos…. Rss… no amor porque sou amor e na dor por costumar mergulhar demais naquilo que sinto. Por ter essa vontade de me jogar, e sentir, e viver, e ser, e fazer acontecer. 

Tenho me sentido cansada de tentar ser legal. De querer ver os outros felizes. De ser colo, acolhida e amor. Em um mundo cada vez mais vazio de pessoas cada vez mais vazias… em um mundo onde ser verdadeiro é ruim… em um mundo onde as pessoas têm medo de viver… em um mundo onde as pessoas preferem a indiferença, ou o caminho mais difícil. Onde preferem a frieza do que o calor de um amor verdadeiro. Em um mundo com pessoas que tem medo de amar e que tem medo de serem amadas. 

As pessoas andam de olhos fechados para a vida. Ou eu que ando com os olhos abertos demais?

E eu já não sei se ser “bom”… é bom ou ruim. Se ser amor vale a pena. Se vale a pena sentir tanto… 
Talvez eu precise aprender. 


FIM
Carol Brunel

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Conversas informais e textos

Estava conversando com uma colega, agora pouco, contei a ela sobre meu “Insight” matinal e contei como muitos deles viram textos. Trocamos umas ideias legais sobre a vida… (eu adoro conversar) e ela disse umas coisas que ficaram martelando na minha cabeça. Às vezes em papos informais surgem ideias para escrever.

Uma das frases que minha colega usou era: “Muitas vezes a gente tem vários elementos que justificam uma mudança em nossas vidas”. E é verdade. Às vezes, somos nós quem fechamos os olhos. Fingimos não ver. Colocamos barreiras e obstáculos em nossas próprias vidas. “Ah mais se…”. “Ah mais isso, aquilo…”. 

Muitas vezes já temos certeza, do que nos faz e do que não nos faz felizes. Já sabemos o que gostamos e o que queremos. Temos todos os elementos possíveis e a vida fica o tempo todo tentando nos mostrar. Mas somos, quase sempre, prisioneiros do medo. 

Em nossa conversa, ressaltamos o fato de que, quase sempre, a dúvida é a nossa própria resposta. Quando a gente não sabe mais se é feliz em uma determinada situação, quando a vida já vem nos mostrando que não é mais aquilo que a gente quer, quando a gente já espera viver algo mais, quando a gente não tem certeza de que seria feliz no futuro, quando há algum tempo a gente já vem se questionando… no fundo, nós já temos uma resposta. A resposta, às vezes, está na nossa cara. 

Eu mesma, já cometi, algumas vezes o “vacilo” tremendo de não me sentir mais satisfeita, feliz, ou certa de que não seria feliz e continuei. Refém do medo. O vilão que nos rouba a vida. Refém do tempo. Paralisada na indecisão. Colocando barreiras na minha própria vida. 

Temos a terrível mania de colocar outros elementos em contraponto: tempo é quase sempre um deles. Eu e minha colega concordamos que o tempo não quer dizer nada. Que o tempo não determina se você vai ser mais ou menos feliz. 

Tem gente que passa uma vida toda “satisfeita” com o “pouco”, porque nunca havia experimentado o muito. Porque nunca havia sentido que poderia ser mais feliz. E quando se vê ao ponto de ser mais feliz. Se esconde. Se fecha. Se boicota e bloqueia todas as possibilidades em nome do que se chama de “sensatez”.

Tempo e medo! Duas combinações que quase sempre nos levam a arrependimentos. 

Não dão certo! 

Pena que a gente tenha que passar pelo pior, para aprender isso. 
Espero que você NÃO seja refém dos dois!

Fim
Carol Brunel

domingo, 26 de abril de 2020

Um brinde ao acaso

Li uma frase qualquer dessas que a gente vê nas redes sociais... e fiquei aqui pensando com meus botões...
Quanto estamos dispostos para se sentir feliz de verdade? 
Estou falando de felicidade real. Não dessa felicidade superficial que fazem a gente acreditar que é felicidade. Estou falando da felicidade que toca a sua alma, que faz o seu coração vibrar, que faz você sorrir pelos motivos mais bobos, que faz você sentir vontade de viver de verdade. Tudo bem, eu sei que a vida não é um mar de felicidade. Que momentos ruins existem. Que “a felicidade é um sentimento simples, e que a gente pode encontrar e deixar passar por não perceber sua simplicidade”. Mas que existem caminhos onde a gente se sente mais feliz, isso não se pode negar.  
Felicidade é paz. É sintonia. É amor. É carinho. É alma. É conexão. É coração. Felicidade é um olhar nos olhos. É um toque que acalma. É alento.  
Quantas vezes nos acostumamos a viver algo e achamos que aquilo/isso é felicidade? Quantas vezes passamos dias, meses, anos... esperando o dia “da felicidade” chegar? Aquela idealização que fizemos de uma vida...
Quantos de nós estão sentados na zona do medo. Paralisados no tempo... esperando pelo momento ideal... vendo a vida passar lá fora. Presos na escuridão. 
Li por aí que o tempo é o único bem real de que dispomos. Ele não volta. O tempo escorre. O tempo é agora. 
Quantas vezes a vida nos dá sinais?! Nos chacoalha. Bate na nossa porta. Esfrega na nossa cara. E não vemos. Quantas vezes as respostas para a nossa ansiedade vem em forma de amor. E a gente se esconde. Corre. Diz não. Quantas vezes questionamos o universo... e ele nos trouxe o que precisávamos. Mas ficamos atônitos. Paralisados na nossa covardia. 
Lá na frente vamos nos perguntar: “mas porque será que tudo continua igual? Por que eu não me sinto feliz?”.  Fomos nós quem fugimos. Porque é isso que a gente faz. Temos medo de tudo o que nos faz sentir de verdade. Falamos de boca cheia por ai: “eu quero ser feliz”. Mas não estamos dispostos.  
Gosto muito desse trecho de Fernando Teixeira Andrade que diz assim “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”
Um brinde ao acaso, à magia das coisas simples, que não tem hora marcada para acontecer. A vida sempre se encarrega dos melhores detalhes. Basta abrir os olhos da alma. 
FIM
Carol Brunel
26/04/2020

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Silêncio

Silêncio mortal.
Tudo aquilo que não é dito...
Diz mais do que se pode imaginar.
Difícil é cair na real.
Difícil é acreditar.
O silêncio fala por si só.
O silêncio diz sem precisar dizer.
Difícil é admitir.
Aceitar a derrota.
Levantar-se da lona e seguir.
Juntar os pedaços. Os cacos.
Refazer o peito dilacerado.
Criar nele um novo espaço.
Para alguém vir morar.
Silêncio mortal.
Eu morri.

Fim
Carol Brunel