terça-feira, 29 de setembro de 2026

Somos lar

Tantas vezes, na vida, me senti uma "estranha" no ninho. Como se a minha sensibilidade e intensidade não coubessem no espaço de tempo e nos lugares onde eu estava. Como se nada estivesse encaixado...
E muitas vezes eu achava que tinha algo errado comigo, questionava a mim mesma, me culpava por ser sensível. 

Ao mesmo tempo eu sabia que essa era a parte mais bonita que eu tinha (tenho): o olhar sensível para a vida, para as coisas do universo, para as pessoas. Talvez, quem me vê por fora, não imagina quanta coisa bonita eu carrego aqui dentro. Porque eu escolhi sempre guardar o melhor que posso. Embora eu também minhas "sombras". Mas apesar das lutas e dos tombos...  mesmo diante de tudo, eu nunca deixei de ser alguém que carrega o amor na alma. 

Eu tinha tudo para ser uma pessoa amargurada e triste. Para ser alguém que vive reclamando ou blasfemando tudo. Mas eu escolhi o caminho contrário.

E hoje eu sei que não tinha nada de errado comigo, eu somente andei por lugares onde minha alma não se sentia em paz. Eu fui por caminhos que não vibravam com a minha essência e não me davam sensação de pertencimento. 

Confesso... demorei tempo demais para entender que eu precisava mudar algumas coisas... porque a vida é, de fato, um processo de evolução, de libertação e de cura. E eu tive que me curar, sozinha e com ajuda, para poder me sentir preparada de verdade. Eu tive que me reconhecer, conhecer o mais profundo de mim, minhas sombras e minhas forças, para só então me sentir pronta. 

Com o tempo, as experiências, a maturidade... nosso olhar sobre a vida vai mudando e vamos descobrindo outras versões de nós mesmos e ficando cada vez mais alinhados com a nossa essência. E quando isso acontece... o medo dá lugar a coragem. Coragem de viver, de sentir, de pertencer, de fazer a vida acontecer, de abraçar com carinho aquilo que chega com carinho. 

Porque agora, a essa altura do campeonato não temos mais nada a perder. E não temos mais porque fugir da vida, se esconder, ou ficar fazendo 'rodeios' para falar como nos sentimos. A clareza, a objetividade e a certeza daquilo que queremos, tiram o lugar do medo.

Quando nos encontramos com nosso interior e estamos alinhados com o nosso sagrado, a vida começa a fluir de uma forma mais leve e mais bonita. 

E então a gente também fica leve. Não somos mais um "estranho" no ninho. Somos lar! 

Fim
Carol Brunel












terça-feira, 1 de setembro de 2026

Mudaram os tempos verbais — ⭐

Há histórias que vão ficando para trás aos poucos. Estão ali, escondidas em uma música, em um cheiro, em uma rua qualquer, numa lembrança que chega sem pedir licença. E talvez seja por isso que algumas despedidas demorem tanto para acontecer dentro de nós... às vezes, o coração continua morando em lugares, onde a vida já não mora mais. Nossa história é assim, cheia de pedaços que nos constroem. Que fazem ser quem somos. 

Em uma determinada época, quando falamos de amor falamos de saudade. Da música que toca a alma. Do frio na barriga que nunca soubemos explicar. Do lugar onde a paz e a ansiedade conseguiam coexistir.

Até que, em algum momento a palavra muda....

Era!

O era, o foi... é que nos fazem perceber que as coisas mudaram... e talvez seja aí a gente perceba que certas histórias não acabam exatamente quando terminam. Elas acabam quando deixam de ser futuro... quando os caminhos se desencontram, quando as coisas não fazem mais sentido dentro de nós. 

Alguns amores são a melhor aventura das nossas vidas. São a música que parecia ter sido escrita para uma determinada ocasião. São a dança que ninguém ensinou. Mas também são as piores dores que conseguimos suportar. O pior tormento e a maior prisão que já vivemos. Há encontros que chegam como o sol, mas também trazem muitas tempestades.

Alguns deixam janelas abertas, outros deixam cicatrizes. Há quem passe para nos mudar. E há quem, sem saber, nos devolva a nós mesmos... E há quem faça as duas coisas.

Talvez amar seja isso também... descobrir versões desconhecidas de quem somos. E podemos ser tudo. Podemos ser a pessoa que se entrega, a que espera, a que insiste, a que se perde, a que erra, a que tropeça, a que fere ou a que é ferida...  E ai somos a pessoa que aprende a soltar. No fim, depois de tudo, somos aquela que finalmente consegue se reconhecer outra vez.

Suponho que seja esse o segredo dos grandes amores.... eles não permanecerem intactos, mas deixam algo intacto dentro de nós. Talvez uma coragem que não tínhamos antes, uma memória, uma canção, uma maneira diferente de olhar para o mundo, uma força nova que surgiu e principalmente uma certeza daquilo que não queremos viver de novo...
...e de que em algum momento da vida, o coração esteve exatamente onde deveria estar. 

Algumas histórias não foram feitas para durar. Foram feitas para nos atravessar. E, depois, quando a vida segue e os anos passam, entendemos que parte das coisas mais bonitas que já fomos pertencem ao tempo em que ainda éramos outra pessoa.

Tem amores que terminam, outros que permanecem. E há aqueles que mudam de tempo verbal. E tá tudo bem. 😊

Nem todo amor precisa durar para ter sido imenso. Nem toda história precisa continuar para ter sido verdadeira. Algumas pertencem a uma estação, a uma fase, a uma versão de nós que jamais voltará. Entender e aceitar isso, sem alimentar rancores, raivas, ódios... é algo simplesmente extraordinário. Aceitar que os ciclos se encerram... É libertador!

E há uma estranha beleza nisso. Porque o tempo não apaga tudo. Às vezes, apenas muda os lugares onde certas coisas vivem. O que um dia foi presença vira lembrança. O que foi dor, vira silêncio. E não há mais espaço no coração, mas sempre será marcado na nossa história. 

Acho que é maduro demais entender isso, de forma serena... sem fúria, sem rancor. Sem precisar continuar buscando respostas, sem precisar perseguir o outro, sem atormentar ninguém. 

Todo mundo já feriu alguém. Às vezes deliberadamente, às vezes por imaturidade, às vezes por egoísmo, às vezes porque não soube amar direito, às vezes, simplesmente, porque duas pessoas não são compatíveis. Isso faz parte da condição humana. Não somos perfeitos e não sejamos hipócritas. 

...tudo bem, a dor explica muita coisa, mas não dá licença para ser transformada em crueldade. Podemos ter sido feridas e ainda assim escolher não ferir de volta. Podemos ter sido injustiçadas e ainda assim escolher não viver buscando reparação emocional através do sofrimento alheio.

...no fundo, pessoas feridas: ferem. Pessoas curadas: curam. Pessoas rancorosas, sofrem com os próprios pensamentos.  E gente que perdoa, segue em paz. 

Afinal, existe uma diferença enorme entre sentir uma mágoa e fazer da mágoa uma identidade. É normal ficarmos magoados quando a alguém nos fere, mas passar meses ou anos sofrendo com: "ai porque fulano me machucou" ...é querer passar a vida fazendo papel vítima. 

Quando a gente não consegue superar,  deixamos de estar apenas machucadas e passamos a alimentar a própria ferida. E superar não significa dizer que aquilo foi legal. Não significa voltar a falar ou fingir que não aconteceu. Às vezes superar é simplesmente:

“Ok, beleza... aquilo me feriu. Aprendi o que precisava aprender. Não quero mais viver nada parecido e vou cuidar da minha.”

No caso: sigamos nossas vidas, porra! Pronto!

CORTA PARA OS CRÉDITOS. 😂


FIM. 

Carol Brunel