Há quem pense que a idade não muda
a gente. Muda e muito... aos 20 eu era uma menina sonhadora que acreditava em conto de fadas. Aos 30 e depois de muitas decepções comecei a perceber a vida de
outra forma, algumas coisas deixaram de fazer sentido. Aos 40 anos, foi uma virada de chave... muitos mitos que a sociedade insistiu em inserir na
nossa cabeça, foram sendo “destruídos” dentro de mim.
Com o passar dos anos, vamos ficando mais práticos com as coisas da vida, vamos entendendo que essa ideia de conto de fadas é uma grande bobagem. O mito do amor romântico vai se desmitificando dentro de nós. Quando ficamos mais velhos, vamos entendendo que é muito melhor encontrar um amor calmo, pacífico e silencioso, do que um amor barulhento, idealizado e bagunçado.
“O amor romântico tradicional funciona como uma grande ilusão cultural. Ele cria expectativas irreais de perfeição, posse e final feliz automático, nos convencendo de que uma única pessoa deve suprir todas as nossas necessidades.”
Esse conceito de “amor ideal” é apenas uma criação cultural, e faz com que muitas pessoas passem a perseguir o intangível. A ideia do amor romântico, cria uma sensação mágica e incomparável, mas ela não é duradoura a longo prazo, porque na vida real existe rotina, existem defeitos, existem diferenças. Ela cria um conceito de que sem o outro não podemos ser felizes.
Mas ninguém tem que suprir nossas
necessidades. Não existe ninguém que seja responsável pela nossa felicidade.
Normalmente quem idealiza o amor romântico, vive infeliz, pois está sempre
buscando algo que não permanece na prática.
“Foi o romantismo, resumido nos ideais da Revolução Francesa, que culminou no surgimento da ideia de que o amor avassalador, único e mágico era um direito e um dever de todo ser humano, uma parte fundamental – talvez nossa única real motivação. Um dos filósofos responsáveis por essa mudança de pensamento foi o francês Jean Jacques Rousseau”.
(dá para ler mais sobre isso no GOOGLE - pesquisem)
“Presumimos que, comparado ao amor romântico, qualquer outro tipo de amor entre duas pessoas que se relacionam de maneira amorosa seria frio e insignificante”, escreve o psicanalista Robert A. Johnson, no livro “We – A Chave da Psicologia do Amor Romântico”.
Ou seja, as pessoas acham que o único jeito de amar é o amor barulhento, gritante, exaltado. Qualquer coisa contrária a isso, não é amor. Essa maluca ideia que foi criada, faz com que as pessoas pensem que a paixão e o amor são sentimentos imutáveis e que surgem do nada (a ciência já sabe que a paixão é um fenômeno neuroquímico).
Isso posto, o que quero dizer de forma resumida, é que conforme fui envelhecendo meus conceitos de amor foram mudando. Aquela garotinha sonhadora que idealizava o amor, deu lugar a uma mulher com os pés no chão, que acredita no amor do dia a dia. Aquele amor que não precisa de plateia, de barulho, de exaltação constante. O amor bucólico, o amor da rotina, o amor que vive em silêncio porque sabe que não precisa de aclamações.
O amor que precisa apenas de verdade... e verdade é aquilo que está dentro do coração. A verdade de chegar cansado depois de um dia de trabalho e ter alguém para conversar, de sentar no sofá e conversar sobre tudo, ou não falar nada; a paz de poder ficar em silêncio, ou de poder falar tudo. A tranquilidade de conversar sobre qualquer assunto, sobre as diferenças, sobre os desconfortos. O amor que só quer ter um lugar confortável para acontecer, sem cobranças, sem desconfianças, inseguranças projetadas, e toxicidades. O amor que traz a verdadeira sensação de paz.
No fim... envelhecer é ruim, mas é bom. Porém ainda há quem cresça de idade e não de maturidade. E não.... vou repetir: NÃO GENTE! Eu não sou desacreditada do amor. Apenas com a idade entendi que o amor não é nada disso que nos foi “vendido”.
E sim: eu acho uma delícia estar apaixonada, eu acho uma delícia amar. Eu amo sentir. Mas amar dentro da realidade, sem pressão, sem idealização, sem ilusão. Amar sem obrigação de fazer o outro feliz e sem que ninguém se sinta obrigado a me fazer feliz.
Fim
Carol Brunel
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