Pensamento

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens".
(Fernando Pessoa)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Fé artificial



O texto de hoje nasceu a partir de uma passagem bíblica compartilhada em um grupo de whatsapp. Sim!! Quem diria....eu que sou até um pouco “cética” em relação a bíblia, usando um texto bíblico como referência.

Acontece que esse texto gerou uma conversa que me inspirou a escrever. O trecho é de Mateus 6:1-6,  e uma parte dele diz assim “por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas para serem elogiados pelos homens”.

Vou misturar um pouco dos conceitos religiosos (não me levem a mau os mais fanáticos), mas o budismo tem uma frase que diz que a caridade deve ser anônima, caso contrario não é caridade, é vaidade! E a gente sabe, que há de fato, muita vaidade nas religiões e especialmente nas pessoas. 

Quantas pessoas vemos no dia a dia enaltecendo “seus feitos”, envaidecidos pelo ego, falando de caridade.

É claro que quando a gente vê um ato de caridade, a gente acaba se inspirando, mas eu estou falando daquelas pessoas que vivem na vaidade de achar que são as melhores pessoas do mundo por que ajudam um ou outro, ali e lá.

Sabe, aqueles que se sentem superiores por que foram na igreja?
Aqueles que publicam a “fé”, mas não praticam a verdadeira fé no dia a dia?

Por que para mim está muito claro que a fé nasce do amor, o amor que vem de Deus. Deus é amor, como está escrito na Bíblia... E se a gente não praticar compaixão e amor, já estamos no caminho errado. Se a gente prefere alimentar o ego com: egoísmo, julgamentos, arrogância, vaidade. Então estamos muito longe da fé que a gente diz ter.

Tem um trecho de um texto que eu li nas minhas leituras diárias que diz o seguinte: A benevolência para com o semelhante, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são as formas da sua manifestação, entretanto, nem sempre se deve confiar nas aparências; a educação e a vivência do mundo pode dar o verniz dessas qualidades, quantas há cuja fingida bondade nada mais é do que uma máscara para o exterior, uma roupagem, cuja aparência bem talhada e calculada disfarça as deformidades escondidas! O mundo está repleto de pessoas que têm o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são mansas nas condição de nada lhes machucar, mas que mordem a menor contrariedade; cuja língua dourada quando falam face a face, se transforma em dardo envenenado, quando estão por de trás.

E quantos né? Quantos fingem bondade! Quantos carregam sorrisos nos lábios, fingem mansidão, mas abocanham na primeira vez que são contrariados. Quantos?

Por fora a casca da bondade, por dentro o desejo de satisfazer o EGO. De se sentir superior aos outros. Eu sempre digo que essas pessoas são artificiais, que praticam uma caridade artificial e tem uma fé mais artificial ainda. São pessoas vazias, pessoas que escondem suas inseguranças. Pessoas que precisam humilhar, maltratar e julgar os outros para se sentirem melhores.

“A hipocrisia fede”! Disse uma amiga após ler o trecho bíblico. E é verdade! a hipocrisia dá ânsia de vômito... e os hipócritas estão entre nós, sorrindo e acenando.  

Tem muita gente dizendo ser temente a Deus, e na realidade vivendo de miséria emocional e egoísmo. Há por trás de toda religião uma “fé artificial”. De gente que sai da igreja cheio de si e na rua já condena os outros. De gente que está mais preocupado em “publicar” nas redes sociais sua fé, do que realmente em por em prática os ensinamentos da fé.

Infelizmente a internet cria muita gente “artificial”. Gente que vive nas aparências de suas publicações. Por que se a gente diz ter fé em Deus, então que saibamos ao menos praticar o mais simples de todo ensinamento bíblico: amor, compaixão, respeito!

Que a gente cumprimente o porteiro, a faxineira, mas que a gente também cumprimente as pessoas que nos amam. Que a gente seja gentil nas redes sociais, mas que sejamos também no dia a dia, com os que nos cercam. Que a gente seja legal com os amigos, colegas, desconhecidos, mas que a gente seja ainda mais legal com quem está disposto a dar um pouco de si para nós.

Por que de nada adianta vestir uma máscara e sair por ai se achando o melhor do mundo por que foi na igreja, por que teve um gesto bondoso, por que foi legal com alguém por um momento.

E quantas vezes não foi legal? Quantas vezes foi rude? Quantas vezes foi egoísta? Quantas vezes estava preocupado com o ego? Quantas vezes deixou de ser bom quanto Deus estava esperando que você fosse? Quantas vezes teve oportunidade de sentir compaixão e sentiu ódio? Quantas vezes poderia ter perdoado e não perdoou?

A verdadeira caridade é aquela que acontece no coração. É aquela que entra na alma. É aquela que nos faz ter vontade de ser alguém melhor a cada dia. É deixar de ser espinho e se tornar flor.

Não adianta tocar trombetas, se não somos capazes de olhar os outros com olhos de amor. 

Então, que a gente possa fazer a diferença!!! Por que quando a gente quer mudar o mundo, a gente começa mudando a gente mesmo!

FIM
Carol Brunel

25/04/2017   

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Dia de Chuva!



Dia de chuva, um café, um livro. Uma pitada de melancolia. Olho pela janela, vejo os pingos caindo no verde das folhas. Permito que o barulho das gostas penetrem minha alma e tragam paz.

Há quem não goste desses dias. Mas eu os vejo como necessários, não só por molhar as plantas e por encher os rios. Mas por trazerem uma certa “calmaria” na nossa euforia. Aquela pausa necessária na nossa rotina maluca. Aquele momento de reclusão, para que possamos realmente desfrutar do que temos: nosso sofá, nossa cama, nossa cozinha, nossos livros e coisas que às vezes se quer apreciamos.

Afinal ficar em casa, sem fazer nada, de bobeira também é legal. É legal o aconchego do nosso cantinho e do nosso pensamento. Dias de chuva servem para isso também! Para curtir a família, para curtir quem divide a vida com a gente.

... E dias de chuva são bonitos também! 

Aliás, diversão e felicidade não são sinônimos de estar sempre nos bares da vida rodeados de gente oca. Diversão também é assistir um bom filme, ler um bom livro, comendo pipoca no sofá com os cachorros e com quem a gente ama. Felicidade também é olhar para janela e ver a chuva lá fora, enquanto prepara-se um jantar. Felicidade também é aproveitar a melancolia do dia chuvoso, sabendo que logo virá o dia de sol. Diversão é chegar em casa depois de um dia de trabalho e curtir as lambidas do seu cachorro. 

Ah, e só para constar... ninguém morre ficando em casa num dia de chuva não!!! Só não sabe disso, quem não sabe ser feliz!

Afinal, o que seria dos dias de sol se não fossem os dias de chuva?

FIM
Carol Brunel

05/04/2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Cronicando

No pôr do sol daquela tarde, 
Aquela árvore, um céu azul... 
Ali a nostalgia pairava! 
A mente voava... 
O coração saltava! 
No peito metade, nos olhos verdade. 
Não se pode negar o que bate...
O que brilha no olhar. 
O que faz sonhar.
A música tocava. 
Os pássaros voavam.
Sentia! Uau! Que energia! 
Daquele azul que irradia. 
Do pouco, do tudo, do incerto e do certo...
Ali naquela rua, onde tudo parecia familiar. Anoiteceu em luar!
Um lugar, uma paz!
Palavras soltas, 
Metaforizei a vida em segundos. 
Respirei fundo! Senti a briza no meu rosto! Mentalizei... 
E com tantos sonhos que tenho, 
Mais um eu sonhei! 

Fim
Carol Brunel 


quarta-feira, 29 de março de 2017

UM POUCO DE MIM...

#reflexãododia

Há alguns anos atrás, depois de muitas negações, eu precisei mudar o rumo da minha vida. Foi um caminho difícil... e em meio a tantos tormentos eu acabei agindo por impulso e tomando uma decisão, talvez sem pensar, dada por um momento confuso.  Quase sempre que a gente faz isso, acaba sofrendo as consequências mais tarde.  

Eu fui feliz, aprendi, cresci, amadureci muito. Foi uma das grandes experiências da minha vida, que talvez tenha me feito enxergar muitas coisas. Talvez tenha me feito quem eu sou hoje. Mas hoje eu tenho plena consciência que não estava preparada para aquela vida naquele período. Eu ainda queria viver coisas naturais para pessoas da minha idade... nos meus 20 e poucos anos. Talvez eu ainda não tivesse atingido a maturidade emocional necessária.

Essa sou eu, na minha viagem a Brasília/DF em 2014
Como diz o ditado aquele: “a vida ensina e só aprende quem quer”. E a maturidade vem, cedo ou tarde. Mais tarde para alguns, mais cedo para outros.

Hoje percebo como minhas prioridades mudaram, como meus desejos mudaram. Percebo como eu mudei. E me sinto psicologicamente preparada para ter aquela vida a qual eu realmente não estava naquela época. Hoje eu sei que a vivência é bem diferente da teoria. Sei que a prática exige muitas coisas, entre: tolerância, respeito, paciência... e principalmente vontade mútua.

Com a cabeça de hoje, tenho certeza de que eu iria gostar, não daquela vida, nem com aquela pessoa, nem daquela época, mas de uma nova vida, com outros ares e outra maturidade. Eu iria gostar de chegar em casa depois de um dia de trabalho e dividir minha rotina, cuidar dos cachorros, preparar o jantar. Hoje eu sei que eu seria feliz acordando pela manhã e desejando um bom dia antes de ir trabalhar... e que isso não seria cansativo pra mim. E que seria sempre legal, quando um ou outro precisasse viajar, e depois voltasse pra casa. Quando um ou outro fosse fazer algo com seus amigos e depois retornasse para casa, quando o outro já estivesse dormindo.

Mas estar psicologicamente preparada, não significa nada. Por que esse tipo de coisa só funciona quando encontra-se pessoas também dispostas e psicologicamente preparadas (não só financeiramente). 

A maturidade emocional não chega para todos.

Para mim talvez tenha chego!! E é legal quando a gente consegue ter uma percepção de si mesmo e entender o que deu certo e o que deu errado antes. Assim a gente tem a chance de viver melhor, de ser melhor e de fazer o melhor que puder.

Carol Brunel

29/03/2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Gente vazia!!


Ah... esse papo dessa gente “descolada”. Essa gente que vive de faz de conta... Faz de conta que não está nem ai. Faz de conta que é feliz assim. Faz de conta que não se importa. Ah esse papo dessa gente que diz que “tudo bem se eu ficar sozinho a vida toda”. 

Meu bem, ninguém quer ser sozinho, muito menos a vida toda. Isso é papo furado de quem vive fingindo. Finge para si mesmo, finge para os outros. Vive uma vida de aparências exteriores. Pouca alma e muito blá blá blá. Infeliz é quem vive na superfície das coisas.  

Veja bem! Não estou dizendo que não podemos ser felizes sozinhos. DEVEMOS! SOMOS! Não estou dizendo que estar sozinho é ruim. É bom! Mas cansa! Chega uma hora cansa... ir para festas e ver sempre as mesmas caras, das mesmas pessoas, adultas, mas agindo como idiotas. Cansa voltar para casa e não ter alguém para abraçar. Para dormir de conchinha. Para trocar carinho. Para conversar sobre tudo. Cansa não ter alguém para dividir, bons momentos, alegrias, tristezas, viagens, jantares. 

Cansa viver a vida vazia de “povo de festa”. A ilusão de diversão criada por esse mundo. Vamos beber até perder a noção. Pegação. Loucurada. Uhuulll que demais!! Só que não!!

Cansa por que a gente amadurece... E a maturidade nos traz outras vontades, outros planos, outros sonhos, outros desejos. A gente passa a se importar cada vez menos com o que os outros pensam. 

Aliás, tem muita gente pensando COISA demais a respeito da vida alheia. Dando palpite demais. Cuidando demais da vida do outro e olhando pouco para o próprio umbigo. Tem gente demais sorrindo com os dentes e envenenando com palavras. Tem gente demais causando intriga. E infelizmente tem gente que cresceu, mas esqueceu de amadurecer.

Quem não sabe que a gente pode ser feliz sozinho? Mas quem não sabe que esse papo todo dessa gente arrotando alegria em baladas repletas de gente vazia, bêbada e chata é só encenação.

E o pior... é que tem gente, que tem tudo para ser feliz. Mas escolhe a vida a vazia... vai na onda, e muitas vezes meu amigo, a onda morre na praia...

já eu, prefiro uma vida cheia!! Cheia de intensidade!!! 

FIM
Carol Brunel

28/03/2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

Just Like This



Bem assim! Desse jeito...
Do jeito que um dia imaginou.
Afinal, quem nunca idealizou?
Quem nunca quis viver emoções?
Coloquei a música no começo.
Ela me desperta as melhores sensações.
E se eu posso voltar a canção...
Eu também posso recomeçar!
Fecho os olhos, me permito sonhar.
E diante de tantos pesadelos.
Eu não posso parar...
Há uma flor que brota no deserto.
Na terra seca e sem vida.
Lá está ela, a flor, irradiando o amor.
Pois o amor é como a flor...
...Que brota no inabitado.
Embelezando almas e corações.
Às vezes ele vem de mansinho.
Às vezes chega fazendo tempestade.
Não bate a porta, não avisa. Chega!    
De todas as palavras mais lindas.
Há aquelas que são ditas pelo olhar.
De tudo que se quis ouvir...
Ah! Isso nunca vem de onde se espera.
Vem sempre do inimaginável.
E quando a canção chega ao fim...
Basta deixar recomeçar.
É assim com a vida...
Esse é meu melhor jeito de dançar!

FIM

Carol Brunel

17/03/2017
10h41min
Criciúma/SC


terça-feira, 14 de março de 2017

Viver bem!

Observava demais os movimentos alheios. O que faziam, o que diziam, o que pensavam a respeito das coisas e das pessoas. Tudo isso importava demais para aquele ser humano. Seguia padrões. Importando-se sempre com as opiniões alheias.

Nesse emaranhado ilusório, esquecia, contudo, de ver os detalhes mais íntimos de quem estava ao seu lado. O olhar triste de sua mãe, a necessidade de ser ouvido do seu parceiro (a). Não notava quando o outro não estava bem, quando precisava de um ombro e de ouvidos. Deixava de sentir o prazer de um abraço em silêncio, ou de sentar na varanda em uma noite fria para olhar as estrelas.

Coisas tão simples, mas tão necessárias nesse mundo frenético!

A vida passava debaixo do nariz, enquanto vivia na loucura da obstinação por TER.

Muitos de nós vivemos assim. Criamos prisões, criamos grades, criamos muros! Ficamos reféns da nossa teimosia. Reféns do medo de sentir mais, de ser mais. É preciso observar mais em nossa volta. Olhar mais a alma das pessoas. Olhar com o coração. Olhar nos olhos. Sentir. Tocar.

Para que nossa vida tenha tido, realmente, algum sentido!

FIM

Carol Brunel
14/03/2017